sexta-feira, 7 de maio de 2010

Fernanda - Lucy and the Popsonics: "Eu mesmo já quis morrer várias vezes, só que eu sou "mulherzinha" total."



O cenário indie rock de Brasília é cruel, poucos sobrevivem, poucos passam do primeiro disco ou do primeiro show. Eles conseguiram seu lugar ao sol e estão prestes a gravar seu segundo disco com uma boa repercussão de público e crítica além de passagens por dezenas de países. Lucy and the Popsonics, um casal apaixonado e uma bateria sentimental dão o tom de como o Electro Punk deve soar. O resto pode até ser Electro mas quase nunca chega perto de Punk. Eles também não, mas as guitarras estão sujas até o limite em que um indie possa gostar. Eu não sou indie mas gostei, ainda soa Rock ainda soa mais do que uma mera desculpa para balançar os quadris. Segue abaixo revelações da banda que você sempre quis saber mas ninguém nunca teve a coragem de perguntar.




DR - Olá, Fernanda. Como introdução eu gostaria que você contasse um pouco da trajetória e da proposta da banda assim como onde você pretendem chegar.

Fernanda: A gente nunca pensou em chegar a lugar nenhum. Onde estamos já está bom, mas lógico que se conseguirmos ir mais seria mais legal ainda. Não gostaríamos apenas de chegar a um ponto em que temos que ceder além do que nos agradaria. Queremos acima de tudo manter nossa dignidade e fazer aquilo que gostamos.

DR - Todos nós adoramos uma bela história de amor. Você poderia nos contar como foi o processo em que Henrique e Fernanda empacotaram seus corações e entregaram um ao outro?

Fernanda: Quem é Henrique? Eu empacotei meu coração pro Pil há 11 anos e 3 meses atrás. Na realidade eu já estava a fim dele e ele demorou para sacar. Mas, um dia depois de um evento que fizemos juntos ele me pediu em namoro e lógico que eu aceitei! =D
Eu fui encantada pela sua mega inteligência. Ele já era universitário e tinha ótimos papos. Ele já tinha muita cultura, tocava bem e nos achamos realmente. Ele foi tipo a tampa da minha panela. =D

DR - Eu senti no som da banda uma forte influência de Rock Inglês, isto é proposital?

Fernanda: Não, não é proposital mesmo. A gente até zoa um pouco com esta história de todo mundo querer parecer inglês em “garota rock inglês”. A gente escuta música do mundo inteiro, inclusive da África e estamos cada vez mais abertos a tudo. Na nossa última viagem compramos tickets para assistir um show de Hip Hop de LA, Damn Funk, em NY. Eu mesma estou estudando musical nas minhas aulas de canto por opção.

DR - Qual a opinião de você sobre esse mundo sangrento da moda em que pessoas se digladiam para parecerem mais e mais descoladas? Vocês entram nesse jogo? Existe alguma banda mais descolada que Lucy and the Popsonics? É possível se vestir bem num país tropical? Xadrez tá na moda?

Fernanda: Esse mundo me encheu o saco já! Todo mundo quer ser uma celebridade hoje em dia. Todo mundo quer informar a todos o que está fazendo no twitter o tempo inteiro. Você encontra milhares de wannabes pelas ruas hoje em dia. Todo mundo faz cirurgias plásticas, muitas mulheres e homens são anorexos ou bulimicos. Acho uma verdadeira doença, uma desgraça. A gente sabe o que está na moda, a gente gosta de ver essas coisas, mas isso não destrói quem sou e o que gosto. Acho que cada um tem que buscar aquilo que tem a ver consigo. Procuramos na moda aquilo que nos satisfaz. Não quero ser igual a ninguém. Coloco em mim o que acho legal e o que tem a ver com minha personalidade e pronto. Nada além.

É possível se vestir bem até de biquíni. Gosto de morar aqui num lugar onde tenha sol, detesto me vestir pra sair no frio e o xadrez ta na moda desde 2008.

Provavelmente existem milhares de bandas mais descoladas que a gente, mas realmente não tenho o interesse. Se a banda é bonitinha e faz uma som maneiro tudo bem, mas se faz um som ruim se vestindo bem ou faz um som massa, mas se veste como se trabalhasse no SLU o dia todo acho de extremo mal gosto. E na realidade isso acontece em todos nichos, até no metal.

Muitas pessoas acham que se vestir bem é usar a roupa que está na Vogue, o que não tem nada a ver. Por exemplo, o Kurt Cobain se vestia bem. Vestir-se bem é uma questão de saber passar aquilo que quer dizer com sua vestimenta. Acho isso o mais legal. Ele soube e contaminou o mundo com isso.

DR - A empolgação da plateia indie provoca uma sensação de poder e força no palco?

Fernanda: Os conceitos "empolgação" e "indie" são como água e óleo, não se misturam. Manja?

DR - Eu creio que é importante para um fã conhecer os que os grupos pensam a respeito do mundo. Favor discorrer sobre os temas abaixo.

- Eutanásia

Fernanda: Se a pessoa tem vontade de morrer e tem as manha, vá fundo! Eu mesmo já quis morrer várias vezes, só que eu sou "mulherzinha" total.

- Aborto

Fernanda: Cada caso é um caso. Porém, o que acho é que a maior parte dos abortos pode ser evitado com métodos simples, como camisinha e anticoncepcional. É complicado você matar alguém que ainda nem tem como se defender, né?

O anticoncepcional além de prevenir contra uma gravidez indesejada faz bem para a pele e evita até câncer. Eu recomendo!

- Legalização das drogas

Fernanda: Sou contra a legalização das drogas. Pelo contrário, acho que nego tem que pegar mais pesado ainda com as drogas que estão circulando livremente hoje em dia. Pra se ter uma ideia da situação basta vc sintonizar qualquer FM. 100% de certeza que vc vai ter acesso a ondas sonoras extremamente maléficas ao seu organismo.

- Star Wars

Fernanda: Eu acho que Star Wars deveria ser lecionado desde o primeiro ano de escolaridade de todos os indivíduos.

DR - A banda tem uma proposta bem divertida. As letras são realmente engraçadas, mas você não tem medo de que algum dia a piada perca a graça?

Fernanda: Medo não. Ele foi concebido em um momento apropriado. A gente nasceu sacaneando com todo mundo, mas nunca apelamos para nomes maldosos, falamos de algo/alguém de forma desrespeitosa e sem finesse. Na realidade, continuamos a falar de coisas engraçadas, mas agora elas são diferentes.

Nem todas as bandas fazem coisas que perdem a graça. O rotomusic de liquidificapum do Pato Fu continua divertido depois de quase 20 anos. Mas, lógico, existe aquela maioria não sabe fazer graça, como Virgulóides, que para mim nunca teve graça nenhuma. Neste último saco aí posso colocar um monte de bandas dos anos 90 que se acham grandes merdas.

DR - Eu soube que vocês estão gravando um novo disco, o que você pode antecipar em primeira mão para este pobre blog? Este espaço é da banda para deixar qualquer recado para qualquer pessoa.

Fernanda: Este novo disco é mais leve, a Lucy fica mais orgânica, as composições estão mais interessantes e ele é como um todo mais rico. Nós ficamos mais a vontade com este disco que o primeiro porque ele tem uma cara de obra de fato porque foi uma opção pessoal. Nenhum centavo foi economizado nele e tudo está detalhadamente bem feito nele. Nosso primeiro disco tinha uma cara de banda de internet que estava começando. Foi um disco ótimo e que nos proporcionou produzir um disco mais maduro agora. Se ele não tivesse sido feito antes, talvez o FAC não teria nos apoiado agora.

Para este disco ficamos em casa alguns meses só compondo. Paramos de tocar, sair para festinhas a noite e até mesmo encontrar amigos e família. Queríamos fazer algo diferente. Estamos em uma fase pós-internet nas nossas cabeças. Começamos a ouvir mais discos dos anos 60 e 70.. ah, e o mais importante, tiramos um pouco essa cara de indie xiita que sempre tivemos. Há alguns anos tudo tinha que ser feito do jeito que foi concebido e nada poderia ser alterado e blá, blá, blá... todo esse discurso besta. Desta vez não... queríamos um disco para que as pessoas comprem e fiquem olhando a capa, lendo as letras e as músicas, ou escutando no ipod no trabalho. Está mais suave, mas não perdeu toda a nossa acidez.

http://www.myspace.com/lucyandthepopsonics
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/lucy_and_the_popsonics

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